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Fogos que acendem outros fogos
O nosso profundo amor a Deus e nossa paixão pelo Seu mundo deveriam fazer-nos arder, como um fogo que acende outros fogos (d.2, n.10).
Peçamos a Cristo posto na cruz que acenda nossos corações e o de jovens sensíveis para que sejam fogos que acendam outros fogos ao modo de Alberto Hurtado e de tantos outros companheiros que souberam entregar a vida pelo bem de seus irmãos.
Intimamente tocados pelo amor de Cristo.
…a Congregação Geral auscultou com cuidado a situação de nosso corpo apostólico para poder dar orientações que alentem e façam crescer a qualidade espiritual e evangélica de nosso modo de ser e proceder, antes de mais a nossa íntima união com Cristo, 'segredo do êxito autêntico do empenho apostólico e missionário de todo cristão, e, mais ainda, de quantos são chamados a mais um serviço mais direto do Evangelho (d.1.n,2).
Peçamos ao Pai que reavive nosso amor primeiro e que desperte em jovens generosos o desejo sincero de amar com todas suas forças e com todo o coração a Jesus Cristo que nos amou primeiro e entregou a vida por nós.
Contemplativos na ação.
Encontrar a vida divina no mais profundo da realidade é uma missão de esperança confiada aos jesuítas... O nosso modo de proceder é imprimir as pegadas de Deus em toda a parte, sabendo que o Espírito de Cristo está ativo em todos os lugares e situações e em todas as atividades e mediações que procuram torná-lo mais presente no mundo (d.2, n. 8).
Peçamos a Deus que envie companheiros que desejem, da mesma forma que nós, recriar seu olhar para encontrá-Lo em meio à história e assim levar Esperança às trevas da exclusão e a auto-suficiência. Peçamos, também, o olhar que nos permita desmascarar a mentira e o vazio que escondem as supostas felicidades com que a cultura do consumismo pretende conquistar nossos sentidos e moldar nossos desejos.
Disponíveis para o maior serviço.
…o nosso objetivo é estar sempre disponíveis para o bem mais universal – desejando verdadeiramente sempre o magis, aquilo que é verdadeiramente melhor, para a maior gloria de Deus. É esta disponibilidade para a missão universal da Igreja que caracteriza a nossa Companhia de uma maneira particular, que dá sentido ao nosso voto especial de obediência ao Papa e que faz de nós um único corpo apostólico dedicado a servir, na Igreja, aos homens e mulheres em qualquer lugar (d.2, n.16).
Peçamos ao Espírito que avive em nós, e em jovens ousados, o desejo de servir aonde a Igreja nos chame, onde seja mais necessário e onde se possa fazer o maior bem pelos irmãos.
Amigos no Senhor.
A diferenciação de funções e ministérios dos jesuítas encontra o seu complemento necessário numa vida de companheirismo em comunidade. A nossa vida juntos testemunha a nossa amizade no Senhor, uma partilha de fé e de vida, unidos sobretudo na celebração da Eucaristia (d.2, 19).
Peçamos ao Espírito que reavive em nós e desperte em outros a humildade e a simplicidade necessárias para compartilhar a vida e a nos dispor sempre a trabalhar em equipe e como corpo. Fomos chamados a nos integrar como um corpo para a missão e a viver em comunidade; Reaviva, Senhor, nosso desejo de ser homens para os demais e com os demais!
Radicalmente livres para amar.
Toda a parte sétima (das Constituições) é uma demonstração do princípio fundamental da obediência, o magis. Aqui, a ênfase coloca-se no discernimento, na liberdade e na criatividade na busca da vontade de Deus e na entrega à ação apostólica (d.4, n.8).
Peçamos a Cristo que nos presenteie sua liberdade e desperte esse mesmo desejo em jovens decididos para que arraigados e cimentados no amor (cfr. Ef.3,17), auscultemos, com decisão e sem temores, a vontade do Pai para nossas vidas e para as obras que animamos.
Ao serviço da fé e a justiça.
A Congregação Geral 35 voltou a assumir a missão da Companhia para nossos tempos tal e como tinha sido entendida e sentida pela Congregação Geral 34: O fim da nossa missão (o serviço da fé) e seu princípio integrador (a fé dirigida à justiça do Reino) estão dinamicamente relacionados com a proclamação inculturada do Evangelho e o diálogo com outras tradições religiosas como dimensões da evangelização (d.3, n.3).
Peçamos ao Pai que envie companheiros para esta missão que só se percebe e sente quando nos deixamos tocar e transformar pelo sofrimento dos excluídos e marginalizados; peçamos a Deus que nos presenteie a valentia para trabalhar e proclamar a justiça que supôs o martírio de Ellacuría e de tantos outros companheiros e colaboradores em nosso sofrido e injusto continente.
Oremos, pois, pelas vocações e oremos pela nossa vocação. Que cada dia possamos rezar com desejo crescido e fervor religioso a oração que nos deixou Santo Inácio como fruto dos Exercícios Espirituais:
Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade,
a minha memória e entendimento e toda a minha vontade.
Tudo o que tenho ou possuo, Vós me destes. A vós, Senhor, restituo.
Tudo é vosso. Disponde segundo a vossa vontade.
Dai-me o vosso amor e a vossa graça, pois ela me basta!
Río de Janeiro, outubro de 2009.
P. Armando Raffo S.J.
Coordenador do Setor de Juventude e Vocações da CPAL
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